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Brandão contesta relato à PF e diz nunca ter recebido assassino no Palácio
Governador afirma que acusações relacionadas ao Caso Tech Office não têm provas e questiona a permanência da investigação no STF.
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 19/08/2026 07:23
NOTÍCIA

O governador Carlos Brandão (MDB) divulgou uma manifestação nesta terça-feira (18) para negar as acusações de que teria recebido dinheiro ilícito nas dependências do Palácio dos Leões, em São Luís. Ele classificou as declarações como falsas e afirmou não possuir qualquer vínculo com Gilbson Cutrim, autor do relato apresentado à Polícia Federal.

Gilbson foi condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em agosto de 2022 no edifício Tech Office, na capital maranhense. Em depoimento recente, ele declarou que teria transportado valores para pessoas ligadas ao governador e realizado entregas na sede do Executivo estadual.

As afirmações passaram a integrar a investigação federal sobre uma possível cobrança de propina relacionada ao crime. As suspeitas continuam sob apuração e ainda não foram confirmadas por decisão judicial.

Governador questiona mudança na versão

Ao responder às acusações, Brandão destacou que Gilbson apresentou versões diferentes durante as investigações. Para o governador, um depoimento sem comprovação não pode ser tratado como verdade.

“Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas. Por isso, afirmo categoricamente que são mentirosas”, declarou.

Brandão também negou ter encontrado ou recebido Gilbson em qualquer ocasião. Segundo ele, nunca houve reunião no Palácio dos Leões nem contato em outro ambiente.

Outro ponto contestado envolve a suposta utilização da vaga número 6 do estacionamento do palácio. O governador afirmou que o espaço está ocupado há cerca de seis anos por um gerador, em contradição com o relato apresentado à PF.

Brandão cita trajetória política

Na manifestação, o chefe do Executivo estadual lembrou que possui mais de 35 anos de vida pública e afirmou não ter histórico de envolvimento em escândalos ou processos criminais.

Brandão disse estar disposto a prestar os esclarecimentos necessários e declarou confiar que a apuração afastará as suspeitas levantadas contra ele.

O governador também reclamou que seus advogados ainda não tiveram acesso à totalidade do processo, situação que, segundo ele, limita o exercício da defesa.

Defesa pede paralisação da investigação

Além da resposta pública, a defesa de Brandão acionou o Supremo Tribunal Federal para tentar suspender as diligências do inquérito relacionado ao Caso Tech Office.

Os advogados sustentam que o STF não possui competência para supervisionar uma investigação criminal contra um governador. De acordo com a argumentação apresentada, o caso deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça, responsável por processar e julgar governadores em crimes comuns.

A defesa também questiona a permanência do ministro Flávio Dino na condução do procedimento e alega possíveis violações ao juiz natural, ao devido processo legal e ao sistema acusatório.

Em pedido liminar, os advogados solicitam a suspensão das diligências. Como alternativa, requerem o encaminhamento da apuração à Procuradoria-Geral da República ou ao STJ. Também pedem a anulação das decisões tomadas no âmbito do Supremo.

Segundo Brandão, manifestações da própria PGR já teriam apontado que a investigação contra ele não deve permanecer sob supervisão do STF.

Caso começou com homicídio em São Luís

O Caso Tech Office tem origem no assassinato de João Bosco Sobrinho durante uma reunião no edifício empresarial que deu nome à investigação. A apuração atual tenta esclarecer se o homicídio teve ligação com uma disputa por valores decorrentes de supostos pagamentos ilícitos.

Após mudar sua versão sobre os acontecimentos, Gilbson passou a mencionar pessoas ligadas à família do governador. Carlos Brandão e os demais citados negam participação em irregularidades.

“Tenho plena convicção de que a verdade prevalecerá. Estou pronto para defender minha dignidade e minha trajetória política e pessoal”, concluiu o governador.

 

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