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Entenda inquérito que mira ligação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Senador foi proibido de deixar o país e intimado a entregar passaportes, mas fugiu para os EUA, segundo aliados Congressista e advogado são suspeitos de manter sociedade oculta para lavar dinheiro por meio de casa de apostas
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 28/10/2026 09:19
NOTÍCIA
São Paulo

Um dia após ter sido proibido de sair do Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, é suspeito de ter desrespeitado a ordem e fugido para os Estados Unidos, segundo aliados.

O filho de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente condenado e preso por tramar um golpe de Estado, é alvo de inquérito enviado pela Polícia Federal ao STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro com bets junto ao advogado Willer Tomaz, de quem é amigo. A relatoria do caso é do ministro Alexandre de Moraes.

Nesta segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro foi intimado pela PF a entregar os passaportes comum e diplomático e proibido de deixar o país. Moraes também determinou que o senador não mantenha contato com Willer.

 

O advogado é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A relação entre ele e Flávio, ambos investigados pela PF por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas, remonta pelo menos a 2019.

O celular de Willer foi apreendido durante a operação. A análise do aparelho revelou movimentações financeiras suspeitas envolvendo plataformas de apostas, holdings no exterior e outras empresas ligadas a ele, diretamente ou por meio de sócios de fachada.

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Além disso, os dois se comunicavam pelo aplicativo Confide, que permite enviar mensagens que desaparecem após serem visualizadas. Flávio aparecia entre os contatos favoritos de Willer.

 

A PF identificou indícios de proximidade entre eles, além de relações suspeitas do advogado com políticos próximos.

As famílias deles viajaram com passagens pagas pela Cathedral Holding, empresa portuguesa cuja maioria das ações pertence a Willer e a familiares do advogado. A Cathedral é a única acionista da Rede Loto, dona da casa de apostas BestBet.

 

Segundo a Polícia Federal, a ligação mais direta entre os dois é a de que Flávio também tinha acesso de "usuário master" à conta bancária da Alcazar Holding, empresa de Willer registrada na Ilha da Madeira, o que permitiria amplo controle das operações.

Segundo reportagem da revista piauí, é possível que a Cathedral tenha financiado a Alcazar Holdings.

Conforme documentos analisados pela PF, a exclusão do senador da conta foi pedida em maio de 2025.

Para os investigadores, esse acesso, somado aos demais vínculos identificados, sustenta a hipótese de que Flávio pudesse ter participação econômica ou societária de fato na Alcazar.

Diante das conexões, como mostrou a piauí, a PF abriu um inquérito para investigar se o senador também é sócio oculto da BestBet.

Após reportagem da Folha mostrar que a Cathedral pagou voos para Flávio, a campanha do senador afirmou que a relação do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com Willer era apenas de amizade. O senador classificou as suspeitas de infundadas e disse que as acusações tinham motivação eleitoral.

Já a assessoria de Willer afirmou que todas as empresas e participações do advogado são lícitas, estão identificadas em registros públicos e foram informadas em declaração de Imposto de Renda.

No celular e no armazenamento em nuvem do advogado, os investigadores encontraram fotos, documentos pessoais do senador e referências a festas, encontros e reuniões entre os dois.

Flávio também é investigado em outro inquérito, que apura um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Nesse caso, o senador é investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Caso tivesse sido eleito presidente, Flávio teria imunidade temporária em relação a fatos anteriores ao mandato e sem relação com o exercício do cargo.

Com a derrota, não terá esse benefício e perderá o foro especial ao deixar o Senado, em fevereiro. Será a primeira vez desde 2002 que ficará sem ocupar um cargo eletivo.

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