Uma multidão de apoiadores de Lula (PT) lotou a avenida Paulista ao longo da noite deste domingo (25) para comemorar a vitória do petista, reeleito para seu quarto mandato em virada eleitoral inédita.
Em clima de festa, eleitores entoaram gritos como "É tetra", "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula" e "a Paulista é nossa". Também houve gritos de guerra e contra o adversário no pleito de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Sem anistia, sem anistia" também ecoou o público. "Recua, facista, recua."
Por volta das 23h30, Lula saiu do hotel em que estavam e foi em direção à avenida Paulista, já discursando, com um megafone, pelo teto solar do carro que o transportava. Por volta da meia-noite, o petista discursou em cima do trio elétrico em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), no qual prometeu medidas como a universalização do programa Pé-de-Meia no ensino médio, a criação do Pé-de-Meia Universitário, além da universalização do ensino integral.
Lula também voltou a prestigiar seu vice, Geraldo Alckmin, e exaltou a participação na campanha do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que criou o canal de WhatsApp chamado de "Exército do Lula". O presidente pediu que o "Hino da Independência" fosse tocado durante o discurso. "Quero pedir outra vez para tocar o 'Hino da Independência', para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém."
Durante a comemoração, o clima de festa foi pontuado por incredulidade com a virada histórica. Caminhando entre os apoiadores do presidente, a Folha ouviu muitos gritos de "a gente virou" e "não estou acreditando nisso". Muitos afirmavam estar, sobretudo, aliviados.
Na festa, ambulantes anunciavam cerveja para comemorar o tetra e motoristas nas imediações manifestavam apoio com buzinas e gritos de dentro dos carros.
Apoiadores de Lula puxaram gritos, com palavrões, contra a Meta e contra o presidente dos EUA Donald Trump enquanto aguardavam a chegada do presidente ao trio elétrico.
"Sinto muito orgulho desse velhinho e da história dele", afirmou a professora Fernanda Barbosa, 47. Ela trouxe as filhas de 11 e 15 anos para assistir o discurso.
Em meio ao empurra-empurra e ao deslocamento difícil devido ao grande número de participantes, algumas pessoas passaram mal.
A pequena mobilização de eleitores de Flávio Bolsonaro que se concentrou na frente da Fiesp durante a apuração de votos foi dispersada após ser divulgado o resultado do segundo turno.
MÃE LEVA OS FILHOS PARA A FESTA: 'PELA DEMOCRACIA'
A jornalista Patrícia Ribeiro, 43, levou as filhas de 7, 8 e 12 anos, e os dois enteados, de 16 e 19, para a festa da vitória, na noite deste domingo, na Paulista. Usando uma camisa com estampa do rosto do presidente, ela disse que a vitória foi da democracia.
"Eu trouxe as minhas filhas e meus dois enteados para participar desse momento incrível que é esse ato da democracia. Ensino para eles sobre a importância da democracia, do Brasil ser livre, um país mais unido, assim a gente pode vencer sempre", disse.
"Para mim o resultado de hoje foi muito tenso, foi muito ‘aja coração’, mas a virada foi emocionante."
COMEMORAÇÃO PELO PAÍS
No Rio de Janeiro, cerca de 30 apoiadores do senador do PL acompanharam a apuração do segundo turno em frente ao Vivendas da Barra, antigo condomínio de Jair Bolsonaro. Na hora da virada, que deu vitória a Lula (PT), restaram no local uma dezena de pessoas e um carro de som.
Apoiadores do presidente Lula foram para as janelas de Copacabana, na zona sul do Rio, comemorar a reeleição. Gritos e buzinas tomaram conta do ambiente após a confirmação do resultado.
Em Brasília, conforme a apuração avançava, o silêncio tomou conta da casa no Lago Sul onde Flávio Bolsonaro companhava o resultado, cercado de apoiadores. Mais cedo, havia música, jingles e churrasco.
Em Brasília, apoiadores de Lula se reuniram para comemorar a vitória na rua do bar Pardim, tradicional reduto da esquerda do Distrito Federal.
Milhares de pessoas que se concentraram no local na Asa Norte comemoraram no momento em que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou a vitória do petista. Os apoiadores também exaltaram a campanha de Leandro Grass (PT), que perdeu no segundo turno para Celina Leão (PP).
No Recife, apoiadores do petista se reuniram no Marco Zero. "É um local histórico de comemorações nossas", disse a deputada estadual reeleita Dani Portela (PT).
A vitória ocorreu após uma campanha acirrada, na qual Lula ficou em segundo lugar no primeiro turno contra o filho de seu antecessor e antagonista Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado após perder o pleito de 2022 para o petista.
O dia da eleição refletiu a tensão, com o STF (Supremo Tribunal Federal) adiando de forma inédita a votação em todo o país por duas horas, após queixa da campanha do PT sobre obstáculos à liberação do transporte público em dez estados, inclusive os populosos São Paulo e Bahia.
Buzinas e gritos de celebração começaram a ser ouvidos na região central de Belo Horizonte (MG) assim que Lula confirmou a dianteira na apuração nacional.
Milhares de apoiadores do petista celebraram em diversos pontos do centro da cidade, concentrados no viaduto Santa Tereza e na rua Sapucaí, no bairro Floresta, onde o público acompanhou a apuração dos votos, e na praça Sete, no centro da capital mineira.
A praca Sete havia sido escolhida como ponto de mobilização da direita no caso de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Mais cedo, a reportagem viu ambulantes expondo bandeiras do Brasil e bonés com o número do candidato do PL. Após a confirmação da reeleição do petista, o cenário era outro.
Para além dos cantos em celebração a Lula e dos versos de "Vou Festejar", de Beth Carvalho, apoiadores adicionaram novos termos ao repertório dos protestos de esquerda. Foi comum ouvir "urgente" e "explode" entre os manifestantes, numa referência à mobilização promovida por Janones.