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China diz que é afetada por tarifaço e pede para entrar em ação do Brasil contra EUA na OMC
Brasil decidiu recorrer à organização contra sobretaxas americanas de até 37,5% aplicadas com base em investigações comerciais Governo Trump sinaliza disposição para realizar reuniões, mas há baixas expectativas de resultados concretos
Por CIDADE FM 91,1 Mhz - GRAJAÚ MA
Publicado em 10/08/2026 16:27
NOTÍCIA
Brasília

A China requisitou formalmente para participar das consultas na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra o tarifaço de até 37,5% imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil.

O governo Lula (PT) acionou a OMC no final de julho contra as sobretaxas aplicadas por Trump com base em uma apuração sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas; e em outra sobre suposto emprego de trabalho forçado. As duas investigações foram conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA)

Como a Folha mostrou, os EUA aceitaram realizar as consultas, na primeira etapa do processo de solução de controvérsias da entidade. Ainda não há data de quando elas poderão ocorrer.

 

Em um novo desdobramento do caso, a delegação chinesa protocolou um documento na OMC no qual diz que tem "interesse comercial substancial nessas consultas".

A sede da OMC, em Genebra. - Denis Balibouse - 11.jun.26/Reuters

Citando, entre outros pontos, a investigação do USTR sobre uso de trabalho forçado, Pequim diz que as medidas americanas "afetam todas as exportações da China para os Estados Unidos, ressalvadas as isenções especificadas, e, em particular, as condições de concorrência dos produtos originários da China vendidos no mercado dos Estados Unidos, em decorrência das tarifas adicionais impostas".

Pelas regras da OMC, os países envolvidos nas consultas —no caso Brasil e EUA— precisam autorizar a participação de um terceiro membro.

Há baixas expectativas de que as conversas entre Brasil e EUA tenham resultados práticos, seja pela paralisia da OMC ou pela atual crise bilateral entre Washington e Brasília.

Mas o fato de as autoridades americanas terem respondido de forma afirmativa é visto como algo positivo —uma vez que elas poderiam ter simplesmente ignorado a consulta brasileira.

A gestão Lula (PT) protocolou a ação na OMC no dia 27 de julho. O principal argumento é que o tarifaço desrespeita normas da entidade e anula princípios que devem ser aplicados a todos os países, segundo as regras internacionais do comércio.

O Brasil contesta tanto uma sobretaxa de 25%, aplicada com base em uma investigação por práticas consideradas desleais no comércio com os EUA, como uma tarifa de 12,5%, aplicada com base em apuração sobre supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.

 

O pedido de consultas é a primeira etapa do processo na OMC. No Palácio do Planalto, recorrer à organização é visto como um gesto simbólico importante para marcar posição do Brasil em defesa do sistema multilateral de solução de disputas comerciais.

 
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