A operação da Polícia Federal contra um grupo que teria movimentado R$ 10 bilhões e é suspeito de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas prendeu hoje a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, uma das sancionadas pelos EUA por suposto elo com o PCC.
O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada também é alvo de mandado de prisão, mas é considerado foragido. Shimada, que também foi sancionado pelos EUA, é descrito pelo Tesouro dos EUA como o "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais". Seria ele o responsável por lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos em diversas cidades dos EUA, e, de acordo com as autoridades americanas, ele utilizaria criptomoedas para transferir o dinheiro lavado de volta ao Brasil, para o PCC.
Já Stella é parente de Shimada, além de ter atuado como sua secretária, e teria cabido a ela transportar grandes somas de dinheiro em espécie além de outras operações logísticas para a lavagem de dinheiro. Mandados de busca e apreensão também são cumpridos contra os dois.
A operação, batizada de Exchange, cumpre 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária. A Justiça também ordenou o sequestro de bens e valores de até R$ 10 bilhões.
De acordo com a PF, o objetivo é "desarticular organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas."
"As apurações indicam que os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras", diz a PF.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (1º) a imposição de sanções aos dois e a três empresas brasileiras "devido aos seus vínculos com a maior organização criminosa da América Latina, o Primeiro Comando da Capital (PCC), sediado no Brasil", segundo o comunicado do órgão.
As medidas foram determinadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), a quem cabe aplicar medidas de punição financeira contra instituições com ligação com facções criminosas listadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). CV e PCC foram designadas como FTOs pelo governo Trump no mês passado, apesar do posicionamento contrário à designação do atual governo brasileiro.
"O PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, uma vez que seus integrantes em todo o território americano — particularmente na Flórida — lavam recursos provenientes do tráfico de drogas e contribuem para um ciclo de criminalidade", dizia o texto do Tesouro ao justificar as medidas.
Essa foi a terceira vez que o PCC foi alvo do Tesouro americano, as duas anteriores aconteceram em 2021 e 2024. E a primeira vez em que a facção entra na mira desde a designação como FTO.
Entre os alvos da ação do governo Trump estão empresas ligadas a Shimada em São Paulo e em Lisboa. São elas: Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (em Portugal).
As empresas de Shimada e o nome dele já eram conhecidos pelos investigadores brasileiros há ao menos dois anos e estariam envolvidos na fraude contra os cofres do Corinthians, em conexão com a patrocinadora Vai de Bet. O caso foi revelado pelo colunista do UOL Juca Kfouri. E é citado pelo Tesouro dos EUA.
Os EUA teriam chegado aos dois brasileiros depois que o FBI (Federal Bureau of Investigation), parte de uma força-tarefa com o Departamento de Justiça, realizou, em janeiro, prisões de seis pessoas sob investigação na Flórida por, segundo as autoridades americanas, terem conexões com lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas do PCC. "Redes como a que foi alvo da ação de hoje dedicam-se ao tráfico de drogas, ao contrabando de grandes quantidades de dinheiro em espécie para cartéis e a outras atividades ilícitas para gerar receitas para o PCC", diz o OFAC, do Tesouro.
As sanções financeiras impostas a Shimada e Stella incluem o bloqueio de todo e qualquer bem nos EUA pertencentes ou controlados por ambos ou suas empresas e coloca sob risco de sanções secundárias qualquer pessoa ou empresa que atue nos EUA e tente fazer negócios com os alvos.