A confirmação pelo PSD da candidatura de Ronaldo Caiado – e seu eterno 1,5%, imortalizado por Lula nas eleições presidenciais de 1989 – jogou um balde de água fria nas pretensões da mídia liberal de lançar um candidato minimamente competitivo para fazer frente à polarização entre Lula e o clã Bolsonaro, agora representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No jornal O Globo, Miriam Leitão afirma nesta terça-feira que “o golpismo da direita continua sendo o problema da eleição” e lamenta que o PSD, de Kassab, tenha abandonado o “moderado” Eduardo Leite.
“O governador Eduardo Leite foi direto e contundente ao se apresentar. No programa de Júlia Duailibi, da GloboNews, na semana passada, Leite disse que o que está faltando nesta eleição é o centro”, diz Miriam.
Em seguida, a jornalista coloca Caiado no mesmo balaio golpista de Flávio Bolsonaro que, “para surpresa de ninguém”, pregou um novo golpe em discurso na conferência conservadora em Boston, nos EUA, no último final de semana.
Tal pai, tal filho…
Já o Estadão destila sua mágoa no editorial “Tal pai, tal filho”, em que afirma que “a natureza é implacável” e que “o golpismo bolsonarista parece ser mesmo genético” ao citar o mesmo discurso em que Flávio prega um novo golpe pedindo ajuda dos EUA.
“Flávio deu ares de verdade à fábula segundo a qual o governo americano, então presidido pelo democrata Joe Biden, financiou, por intermédio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022 contra Bolsonaro. “As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram esse homem – o ex-presidente socialista Lula da Silva, condenado múltiplas vezes por corrupção – da prisão e o colocaram de volta na Presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da USAID e com massiva interferência da administração Biden”. Como de hábito, nenhuma prova disso foi apresentada – mas, afinal, um bolsonarista de verdade não precisa de provas para acreditar em teorias da conspiração como essa”, diz o jornal.
Assim como Miriam Leitão, o Estadão lembra de entrevista recente do “01” à Folha de S.Paulo, em que ele diz que fará “uso da força” para “fazer com que o Supremo Tribunal Federal respeite os demais Poderes”.
“É digna de nota a facilidade com que o senador Flávio Bolsonaro usou a expressão “uso da força”, com a clara intenção de intimidar os adversários do pai e as instituições democráticas que lidaram com o seu golpismo. E agora, não menos indecorosa, é a tentativa de mobilizar o governo dos Estados Unidos e de outros países governados pela direita simpatizante do presidente americano, Donald Trump, para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro e, por fim, não reconhecer uma eventual derrota do bolsonarismo na eleição presidencial”, emenda o editorial.