Uma quarta distribuidora, a Larco Comercial de Produtos de Petróleo, que tem sede na Bahia e tem avançado no Nordeste, também foi notificada nesta quinta-feira, mas pediu prazo adicional de cinco dias para prestar as informações, ainda sem resposta.
As notificações enviadas às empresas exigem dados detalhados sobre volumes de combustíveis que foram solicitados pelos postos e efetivamente fornecidos. O governo também quer saber quais são os níveis de estoque, se houve atrasos na entrega e os critérios usados para o atendimento.
Em cada ofício, a Senacon pede que as empresas informem se houve pedidos não atendidos ou parcialmente atendidos, detalhando quantidades.
Questionada pela Folha, a Raízen confirmou que recebeu uma fiscalização em sua base no Distrito Federal na quarta-feira (18) e disse que "irá avaliar a situação e prestar os devidos esclarecimentos" à Senacon. "A empresa reforça seu compromisso com a transparência, a integridade e o respeito às normas legais em todas as suas operações e relacionamentos", afirmou.
A Ipiranga declarou que "os preços no setor são influenciados por múltiplos fatores, incluindo diferentes formas de suprimento de combustível —como aquisições via importação e operações específicas de mercado— além de custos logísticos e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência".
Em uma linha defensiva, a companhia afirmou ainda que "a autuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis se baseou em somente uma parcela destes impactos, no caso o preço Petrobras, sem considerar os componentes de preços como os valores de importação, elevado em meio à instabilidade política global".
Um exemplo disso, segundo a Ipiranga, "é a própria pesquisa de custos da ANP que, mesmo com duas semanas de defasagem, já demonstra mais de R$ 1 em aumento de custo nos produtores e importadores".
"A Ipiranga reitera seu compromisso com a transparência, sua responsabilidade com o abastecimento do Brasil, o respeito ao consumidor e o cumprimento das normas que regem o mercado de combustíveis", afirmou.
A Vibra declarou que "colaborou e seguirá à disposição da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacom) para prestar todos os esclarecimentos".
Nas últimas semanas, afirmou a empresa "o setor tem enfrentado um cenário desafiador, com restrições de oferta e ajustes nas condições de fornecimento, o que impacta a dinâmica do mercado".
"A Vibra reafirma seu compromisso com a transparência e com o abastecimento regular do mercado nacional."
Como a Folha revelou, o governo pretende fazer esse pente-fino em 11 distribuidoras. Estes são, porém, os primeiros nomes de companhias que vêm à tona. Também foram listadas 62 cidades brasileiras como prioritárias para fazer um trabalho detalhado de fiscalização, por suspeita de aumento abusivo no preço do diesel. A relação de municípios foi consolidada em um relatório técnico concluído na terça-feira (17) pelo MME (Ministério de Minas e Energia).
O monitoramento aponta que foram observados padrões de reajustes simultâneos entre postos em determinadas localidades, o que sugere formação de cartel, embora tudo ainda dependa de comprovação.
Segundo uma fonte que acompanha o tema dentro do governo, o pedido de informações detalhadas também é um enfrentamento à falta de transparência de dados consolidados sobre preços, custos e margens que costumam marcar o setor.
Representantes das distribuidoras costumam afirmar que não monitoram nem divulgam essas informações, porque há restrições ligadas à legislação concorrencial. Para o governo, é uma caixa-preta que precisa ser aberta.
No último dia 8, a Senacon acionou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para avaliar possíveis infrações de concorrência. Dois dias depois, instaurou um procedimento formal para monitorar o mercado de combustíveis. Nos dias seguintes, mobilizou Procons para intensificar a fiscalização e padronizar a coleta de informações.
As fiscalizações já alcançam Procons de 16 estados, que realizaram inspeções em centenas de postos e dezenas de distribuidoras, com emissão de multas.
O agravamento da guerra no Oriente Médio, com os primeiros ataques a instalações de petróleo e gás na região, joga ainda mais pressão por novo reajuste no preço do diesel nas refinarias da Petrobras, que voltou a operar com defasagem superior a R$ 2 por litro.
Nesta quinta-feira (19), após uma noite de ataques sobre instalações no Irã, na Arábia Saudita e no Qatar, a cotação do petróleo Brent chegou a bater US$ 119 por barril, caindo depois para perto de US$ 110.