O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevista nesta segunda-feira (5) que a Venezuela, país que o republicano diz querer governar, não terá eleições nos próximos 30 dias.
"Precisamos consertar o país primeiro, não dá pra ter uma eleição. As pessoas nem conseguiriam votar. Precisamos revitalizar o país", disse Trump à emissora NBC News.
O americano disse ainda que os EUA não estão em guerra com a Venezuela, e sim com traficantes de drogas. "Estamos numa guerra contra as pessoas que vendem drogas, que esvaziam suas prisões e hospitais de saúde mental e mandam criminosos, viciados e doentes mentais para os EUA", afirmou, repetindo a retórica que usa desde as campanhas eleitorais com a bandeira anti-imigração
Na entrevista, Trump repetiu que estará "no controle" da Venezuela no futuro, auxiliado por integrantes do primeiro escalão de seu governo, como o secretário de Estado, Marco Rubio, o de Defesa, Pete Hegseth, e o vice-presidente, J. D. Vance.
Trump, entretanto, disse na entrevista à NBC que Delcy vem cooperando com os EUA, sugerindo que sanções americanas contra a líder interina podem ser suspensas em breve. Questionado se houve anuência de Delcy ou de militares venezuelanos para a captura de Maduro no sábado (3), Trump negou: "Muitas pessoas queriam fazer esse acordo, mas decidimos fazer do jeito que foi
O presidente disse que Rubio, chefe da diplomacia americana, está em contato direto com a líder interina. "O relacionamento tem sido muito forte. Ele fala com ela em espanhol fluente", disse Trump —Rubio é filho de cubanos exilados.
O ataque contra a Venezuela envolveu cerca de 200 soldados americanos, que invadiram Caracas e enfrentaram resistência mínima enquanto capturavam o ditador. Nenhum militar dos EUA foi morto, enquanto pelo menos 40 pessoas, entre guarda-costas cubanos de Maduro e militares e civis venezuelanos, foram mortos pelos americanos.
A facilidade com a qual a operação transcorreu levantou suspeitas de que houvesse um acordo secreto entre setores do regime e os EUA para que Maduro fosse removido —Trump negou a sugestão nesta segunda.
O presidente também desmentiu uma reportagem do The Washington Post segundo a qual ele teria decidido escantear María Corina Machado, principal líder da oposição venezuelana, porque ela ganhou o prêmio Nobel da Paz, cobiçado por Trump. "Ela não deveria ter vencido, mas isso não teve nada a ver com a minha decisão" de não colocá-la no comando do país, afirmou.
Trump voltou a dizer que pretende abrir a indústria petrolífera da Venezuela, nacionalizada desde os anos 1970, a empresas americanas, afirmando que seu governo pode subsidiar o retorno das petroleiras dos EUA ao país, dono das maiores reservas do mundo.
Segundo o republicano, o projeto de modernizar a extração de petróleo venezuelano pode ser concluído em 18 meses —especialistas acreditam que qualquer esforço do tipo seria uma empreitada de décadas. "Acho que podemos fazer em até menos tempo [do que um ano e meio], mas vai custar caro", disse Trump.
"Uma quantidade gigantesca de dinheiro terá que ser gasta, e as petroleiras vão gastar, mas podem ser reembolsadas por nós", disse. Analistas que acompanham o setor energético expressam dúvidas sobre o desejo das grande petroleiras de fazer as vontade de Trump, dado o histórico venezuelano de nacionalizações e o nível de investimentos necessário para lucrar em um momento de baixa no preço da commodity.
Líderes das três maiores empresas de petróleo dos EUA —a Exxon, a Conocophilips e a Chevron— se reunirão na próxima quinta-feira (8) com o secretário de Energia do governo Trump, Chris Wright, segundo a imprensa americana.
Nesta segunda, a chavista Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, foi empossada como líder interina da Venezuela em cerimônia na Assembleia Nacional. A política declarou lealdade ao ditador, disse que assumia "com pesar" após uma "agressão militar ilegítima" e não deu sinais de que estará mais disposta a ceder às exigências de Washington do que Maduro.