Grajaú (MA) – A nota pública divulgada pela Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Grajaú (ACIG) em 15 de março, expressando preocupação com a dívida municipal e com a presença de vereadores na entrevista do prefeito Gilson Guerreiro, gerou debate na Câmara Municipal. Na sessão ordinária de 18 de março de 2025, vereadores usaram a tribuna para contestar a interpretação da entidade, esclarecer sua postura e reafirmar seu papel de fiscalizadores. Aproveitaram também para elogiar a atitude do prefeito.
O Ponto Central: A Interpretação da ACIG
A nota da ACIG, publicada no mesmo dia da entrevista em que Dr. Gilson anunciou o rompimento com o grupo "Pé de Coco", manifestava apreensão com a dívida, estimada em meio bilhão de reais. O trecho que gerou a controvérsia afirmava que a "presença da maioria esmagadora dos vereadores em apoio às declarações do prefeito intensifica as inquietações da entidade".
A Resposta dos Vereadores:
Os vereadores Serginho Falcão Jorge e Henrique Melo lideraram os debates acerca da nota da ACIG, detalhando suas posições e refutando a interpretação da Associação:
- Serginho Falcão Jorge: O vereador iniciou lendo o trecho da nota que o incomodou, acusando a ACIG de tentar "comprometer diretamente o Poder Legislativo". Ele declarou: "Não, no meu ponto de vista, a Associação quer jogar algo para o Poder Legislativo, que não tem absolutamente nada a ver com rompimento, com brigas, políticas, que cada um aí que se vire pra lá."
Ele explicou que a presença na entrevista foi motivada pelo "papel do Poder Legislativo em atender a um convite, não foi convocação". Sobre a entrevista, Serginho Falcão Jorge afirmou: "...eu particularmente, Vereador Serginho Falcão Jorge, fiquei surpreso com os dados que foram levados sobre questão de previdência...". E negou qualquer comprometimento com o rompimento: " nós não podemos levar essa responsabilidade. Qual foi o comprometimento que algum vereador se comprometeu na rádio? Eu particularmente não me comprometi a absolutamente nada, apenas elogiei a atitude sim, de um prefeito que, de fato não é rotineiro a gente ouvir uma prestação de contas nesse sentido, não estamos aqui para culpar A ou B". Ele finalizou reafirmando sua independência: "[...] este Poder, este Vereador, vai estar atento a todo cenário que acontecer e, claro, o que for preciso eu cobrar nessa tribuna, se for preciso cobrar do Poder Executivo, vocês não tenham dúvida disso, mas claro, também continuarei usando do bom senso e da coerência e claro aguardando o tempo certo para que as coisas possam acontecer. Eu vejo muito boa vontade em fazer as coisas acontecer em Grajaú [...] e finalizou dizendo que a maior preocupação dele é que a população grajauense não seja prejudicada ".
- Henrique Melo: Henrique Melo iniciou expressando concordância com Serginho: "Vereador Serginho Jorge, eu também comungo das suas palavras. Foi um momento de infelicidade da Associação, esse Poder Legislativo aqui não tem nada a ver com o que está acontecendo”.
Sobre a presença na entrevista, afirmou: "Como eu fui convidado para ir na rádio no sábado, não vejo nenhum problema nisso". Ele defendeu a independência da Câmara: "...nós Vereadores e particularmente o Vereador Henrique Melo tá aqui não é só pra concordar com tudo que o prefeito ou qualquer outra pessoa mande pra cá". E, sobre a postura do prefeito, declarou: "...mas diante dos acontecimentos dos fatos, das coisas que estão acontecendo, quero sim aqui parabenizar o prefeito Gilson Guerreiro, parabenizar pelas suas atitudes, parabenizar em tentar resolver os problemas[...] O que o Gilson Guerreiro pode fazer, ele está fazendo.[...] Agora essa casa aqui, de maneira alguma, em nome, que permita ter liberdade, nobre vereador líder do governo Eduardo, nenhum momento esta casa aqui está contra A, B ou C. Tudo que vem em prol da população de Grajaú, que venha, não quero saber quem vai trazer, a população que vai analisar”.
- Cristiano Fontenele: Em aparte à fala dos Vereadores que o antecederam, o Vereador esclareceu sobre a presença na entrevista: "Eu queria aqui esclarecer um pouco da nossa passagem, eu acho que todos que estão aqui, com exceção do Flavio, estiveram na rádio, onde o prefeito Gilson Guerreiro foi fazer uma explanação do que vinha acontecendo no município. E a gente vê que o DR. Gilson tá com muita vontade, muita vontade mesmo, de trabalhar, de fazer a sua administração. Não comparar a administração dele com quem já passou, não, muito pelo contrário, mas quer transformar a sua marca, a sua identidade [...]" O Vereador aproveitou a oportunidade para abordar o rompimento e fazer outras considerações: Não podemos deixar passar despercebido por essa sessão, nós somos políticos, representantes do povo, o que aconteceu ali é mais do que uma final de copa do mundo, politicamente falando, mas espero sim que o deputado continue trazendo as emendas e os benefícios que Grajaú merece e o Dr. Gilson fazendo o seu trabalho na PMG com os aliados que assim porventura quiser e vier a ajudar o município”.
A crítica à interpretação da ACIG revela o desconforto com a ideia de que a presença na entrevista implicaria apoio à ruptura política ou ser contra a lado A ou B. Os vereadores reafirmam sua função de analisar, debater e cobrar do Executivo.
